sexta-feira, 25 de março de 2016

Autonomia



Seus medos não precisavam da permissão de um deus para se cravarem em sua carne.
É uma tarefa difícil ser dona do próprio erro e responsável pelo peso do mundo, mas ela a cumpria muito bem.
"Deus está morto", gritava no outro lado da rua um homem de bigode. Mas ela sabia que deus nunca esteve aqui. E em meio ao turbilhão de vazios rosados que atravessavam as paredes de seus olhos, o grito era a única expressão onipotente capaz de quebrar o sagrado silêncio e o profano véu da bela imaginação que chamam de deus. Os únicos seres supremos são as baratas que se escondem atrás de seu sofá.

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