quinta-feira, 24 de março de 2016

Do Deus, dos homens


O maior ateu é o Papa. Não se consome aquilo que se vende. O bom traficante não cheira pó. Quem vende fé não acredita em Deus, ele disse, e ajeitou a pulseira de sementes vermelhas. E continuou: Eu? Eu passei bastante tempo na cidade. Estudei. Discuti. Problematizei. E no Deus imaginado pelos homens, nunca botei crença. Porque seria como crer nos homens. Uma tolice. Eu não duvido é do Sol, que queima os olhos e quara a pele.  Nem da terra que germina a mandioca. Nem desse rio. Eu não preciso de imaginação, nem de fé abstrata para isso. É simples. Meu pé na terra, pisa o divino. E calou quando um casal de araras chegou-se na palmeira que nos fazia sombra. Eu sabia que a conversa tinha acabado. E quando o olhei de novo, tive uma impressão engraçada, como  se ele fosse um daqueles bichos que nos rodeavam. Eu sempre tive um desejo estranho, de um dia parar de falar para apenas grunhir. Quando falei isso para a Fernanda, ela me olhou com cara de espanto. Isso já tem um tempo. Mas agora, aqui.

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