domingo, 20 de março de 2016

mayara - versão final

Mayara, brasileira, solteira, 16 anos
Mamãe, eu não nasci para este mundo
Desde muito pequena tenho dificuldade de ser uma menina comum
Eu sempre senti amor por Cíntia
Mamãe, nossa relação é de amor, eu não vejo nada de mau nisso.
Nós sabíamos que ninguém ia compreender
Tomamos essa decisão juntas, nós estamos partindo juntas.
Não temos culpa se a sociedade não entende pessoas como nós.
Eu te amo mamãe, procura ficar bem.

Mayara.


mayara - primeira versão

Mayara, brasileira, solteira, 16 anos
Mamãe, eu não sou vadia.
A gravação aconteceu no terreno próximo do colégio. Era um final de tarde.  O Pedro me enganou e disse que queria me mostrar uma coisa. Logo fui levada para o terreno com quatro meninos, me seguraram, me obrigaram, abusaram de mim, tive nojo de tudo o que estava acontecendo, fui totalmente humilhada.
 Fiquei em choque quando o vídeo vazou na internet.
Quando o pai apareceu em casa depois de anos só para me bater, para dizer me odiava, para me chamar de puta, e que sentia vergonha de mim.
Desde muito pequena tenho dificuldade de ser uma menina comum, uma menina que a sociedade chama de comum.
Eu não me encaixava no papel de filhinha querida. Eu sempre senti vontade de ir embora, de largar tudo, de jogar toda a hipocrisia na cara das pessoas, que esmagam tudo que seja diferente delas, porém não olham para a própria sujeira.
Eu sempre odiei a opressão do pai com você. Eu escutava do quarto quando ele te surrava, te humilhava, te desprezava, até ir embora e nunca mais voltar.
As coisas se tornaram insuportáveis, mãe. Eu não conseguia mais lidar.
Depois do que aconteceu no colégio, eu não tenho mais condições de enfrentar essa situação e olhar para sua cara, para a cara do pai, algo que sempre foi bem difícil, olhar para a cara de todos de nossa família.
Além dessa aversão por todo tipo de opressão eu tenho algo para te contar.
Eu sempre senti amor por Cíntia, desde criança, desde o colégio de freiras. Crescemos juntas e não foi estranho quando passamos a descobrir nossos corpos juntas.
Mamãe, nossa relação é de amor, eu não vejo nada de mau nisso.
Nós sabíamos que ninguém ia compreender, por isso tomamos essa decisão juntas, nós estamos partindo juntas.
Não temos culpa se a sociedade não entende pessoas como nós.
Eu te amo mamãe, procura ficar bem.
Mayara.


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