quinta-feira, 31 de março de 2016

No meio do caminho (sei que Evandro não vai gostar)

Acorda bem cedo, Vá, homem, carrega consigo este cadáver, Calce os tênis de 99 reais comprados no feirão, Vista os shorts puídos, a camiseta das eleições de 1994, Você precisa encarar a manhã, Diga 98 quilos, 98 quilos, 98 quilos, No meio do caminho encontrará o poeta de chapéu e dirá bom dia, No meio do caminho verá sua imagem de menino vestido de super-homem, No meio do caminho encontrará  o diabo no redemoinho (viver é muito perigoso) No meio do caminho, extrato da conta corrente, Diga 6 reais e 33, 6 reais e 33, 6 reais e 33, No meio do caminho voará como colibri, No meio do caminho pegará um ônibus para o Piqueri, No meio do caminho, um monólito, No meio do caminho, o androide ferido, No meio do caminho, uma negra chamada Selena, No meio do caminho, o conserto que não vem, No meio do caminho, carta suicida, No meio do caminho a lua que se quebra como um velho desejo, No meio do caminho, o Sol que já foi e não trará sequer juventude, não trará, não trará, não trará sequer.


Márcio Dal Rio

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