quinta-feira, 10 de março de 2016

UM FUTURO SEM CONSERTO

Eu nunca imaginaria que seria fácil. Uma tarefa inglória. Desde o século 30 os seres humanos vivem confinados em aldeias. Sobraram poucos homens desde o colapso nuclear das Coreias. Por sorte a produção de humanoides já era bem difundida nessa época. E os humanoides tomaram conta do mundo. Eu nunca poderia imaginar que seria fácil. Eu tive de entrar na Aldeia da Oceania apenas para pegar de volta um perigoso projeto de máquina destruidora de humanoides que os humanos nos surrupiaram. Os seres humanos são muito hostis. Mesmo disfarçado, fui descoberto. Tive de correr para não ser linchado. Fugi em desespero e, na hora de pular o muro, me atingiram com este dardo. O dardo que agora me perfura o peito. E que me leva aos cuidados de uma enfermeira-mecânica humanoide negra chamada Selena. O homem do conserto não vem?  Eu sinto aos poucos o desacelerar de meu sistema. Já não tinha mais consciência quando ouvi bem de longe. O barulho da máquina incubadora que me mantinha vivo fazer um som de pico até, lentamente, desaparecer, Selena.

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O homem do conserto não vem?
Já perdi a porca do meu peito,
Não tem jeito, eu perdi a paixão,
Já não vivo nesse mundo, eu
Sou só um espectador que perdeu
O horário do filme, eu perdi o filme,
Até a sessão da tarde não me faz bem.


Marcio Dal Rio - Clipe 2016

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