quinta-feira, 7 de abril de 2016

Daquilo que nos habita






 Meu nome, amuleto que carrego em mim, é só fração da herança que me foi marcada e que vem de lugares longínquos como o índio velho que um dia sou. É claro que fui outras coisas, como a rocha e a jaguatirica embrenhada, mas é do índio velho que melhor me lembro, e sei certo que dele me vem esse estranho ímpeto de quebrar a calçada da avenida, primeiro usando um bloco de concreto, e depois quis que fosse com as minhas mãos, cavucar até matar a vontade de terra, como se ao tocá-la pudesse aliviar o asco que sinto da cidade.  Outros me olham como se eu fosse o doente, mas são eles que seguem caminhando ainda que sem poder mais ver o céu. No meio dessa fumaça e sem horizontes, toco minha pele procurando penas e escamas, e esse para mim é o sentido de participação. Na minha bandeira, o que se lê, é desordem e regresso.

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