quinta-feira, 28 de abril de 2016

Eu e ela


Eu e ela

Ela tá na minha mão
nós dançamos juntinhos
e nos beijamos
eu e minha Heineken

Descendo a rua de mãos dadas
eu e minha Heineken
ela espuma sem razão nenhuma
fica lá, cheia até a boca
eu pergunto O que é?
Você sabe que você pode me contar qualquer coisa
ela não diz nada
vira os olhos
fingindo que está cheia de mim
olha os carros que passam
mas não resiste quando eu a puxo pela cintura
Eu te amo, pô

Subo o elevador
a sacola cheia de Heinekens geladinhas
eu a abraço e sussurro

Ok, talvez eu esteja meio bêbado

Chego ao supermercado
ela já me olha com aquela cara de emburrada
Você tava bebendo cerveja
não tava?
Tava tomando uma kaiser
mas pensando em você o tempo todo
Você é foda, Henrique
ela se faz de difícil
espuma
mas eu a deixo esfriar a cabeça
pensar um pouquinho
e no final das contas ela sabe
que eu gosto dela até mesmo quente

Chegamos escondidinhos
eu e minha Heineken
ninguém pode saber
mas não é por vergonha
escondo da minha mãe
da minha mulher
da minha namorada
da minha amante
do mendigo que quer um gole
eles não entendem o que rola entre nós

Na verdade o mendigo entende

Mulher é foda, né?

Eu digo Heineken
quer dizer
eu escrevo Heineken
assim, com maiúscula
porque você é diferente das outras
e talvez porque seja a forma mais correta de se referir a uma marca

Ok, é isso mesmo

Mas você é especial

Um comentário:

  1. Deleito-me com meu cachimbo...
    Henrique delira com sua Heineken...
    Valmir goza com nossos/as amantes...
    E este círculo
    Etílico
    Tabagístico
    E orgiástico
    Se fecha...
    Ou se abre...

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