quarta-feira, 27 de abril de 2016





eu tenho amado o silêncio
e suas horas mais constantes
tenho amado sua realidade
asséptica, plástica como um abstrato
no absurdo. os longínquos ruídos
na triste evidência da sala escura
que desconfigura os objetos sob o manto
negro, o manto pacífico da brisa
que corre demorada pela fresta.
a fresta do pouco de memória
que me ocorre. estou olhando
para dentro, dentro do ócio
dentro do óbvio, dentro da angústia,
dentro da calada, dentro do nada.
uma rapsódia pelos sentimentos mais
imprecisos. A geladeira muda.
o vaso mudo. o televisor mudo.
o jornal mudo. as canetas mudas.
tudo é mudo no desmundo
da quietude. É como
se eu visse, a milhares
de anos-luz, o meu íntimo.
que, tímido, emite uma
seca e imperceptível batida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário