quinta-feira, 7 de abril de 2016




O monstro
Recortei meu nome e deu um monstro
Um lagarto terrível que solta flores pela boca
Devora vagalumas na noite fria enquanto a manhã não vem
O monstro se movimenta em meio a pilhas de livros, não tem mais jornais na sala,
Seu nome está no tablete de onde a notícia foge, a todo momento,
O monstro foge da monstruosidade que se instaura na rua
Ele não tolera intolerância por isso cospe flores pela boca
O monstro gosta de dizer coisas líricas na lâmina da tarde que nunca termina
O monstro não destrói coisas apenas a própria geladeira, já comeu uma Prosdócimo, uma Consul e uma Eletrolux.
O monstro não gosta de badalação, foge dos outros répteis a qualquer mostra de lagartaria.

Todo o domingo vejo o monstro dormindo na rede de tranças verdes com o mundo na barriga.

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