quinta-feira, 14 de abril de 2016

Selvagem ooh

O instante pinga, e nessa gota que cai sobre os olhos, vibram-se os sons na formação do acaso que lhe abre uma porta e então… entra-se. Fecham-se as pálpebras e durante um milésimo de segundo o tempo para. A ausência do brilho não recai sobre os olhos como perdição no infinito escuro. É fonte fresca para a imaginação – mergulha-se. Não há mais forma, pois se há forma, as conexões se delimitam; tudo é um. O sentimento nostálgico do uno-primordial jorra e, no gozo um losango se multiplica em si mesmo num movimento caleidoscópico, desentranhando mil universos confluentes de imagens espelhadas que se formam até o infinito; são versões gigantes idênticas de si mesmo minusculamente em expansão – não há referencial, nem lógica, o grande pode ser pequeno e o pequeno pode ser infinito. A imagem se jorra calidoscopicamente vibrando nas setes cores do espectro visível … não tem forma, não tem nome, só é sensação que pulsa uma única vez. É meu corpo…. Quando as pálpebras abrem, as formas se delimitam novamente, o sentimento se esvai; a pupila dilata e o sorriso transborda.

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Entre as palavras
O silêncio
Entre os gestos
A doçura
Entre os seres
A vida

Assim dançam
Em movimentos elípticos
De ódio e ternura
A criatura

E o cria-dor.

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