segunda-feira, 4 de abril de 2016

Sobre montanhas

Andei pensando sobre as montanhas serem boas metáforas para avós: nos observando à distância, sábias e sedimentadas, às vezes um pouco sarcásticas ou até irônicas, donas do tempo, das memórias, do passado - acúmulos de mães, assim como as montanhas acumulam chão. A gente vai vivendo nossas vidas certas de que elas estão ali.

Questionei várias coisas enquanto tentava me comunicar com a minha, em coma, em algum lugar entre o aqui e o lá. Estar perto da morte me fez enxergar várias coisas de outra perspectiva, de um certo estado de suspensão. Algumas memórias vieram à tona, os tempos se misturaram, mas as coisas que realmente importam ficaram instantaneamente mais claras.

Na estrada, indo para o enterro dela, a paisagem parecia anestesiada. Disse uma tia que as pessoas que amamos não morrem, ficam encantadas para sempre. Por pura ironia ou para minha alegria, enterramos o corpo dela dentro de uma montanha.

Chovia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário