sábado, 7 de maio de 2016

A menina dos olhos

- Ei! Psiu!
Pediam para serem olhados. Cucurutu, testa, folhas, olhos, folhas… Subi, desde à sacada o via inteiro. A cadeira do meio, mais idosa e educada, me acomodou. 
- O que te deixa ai tão pensativo?
O vento vara as nuvens que amoram o sol. O punhado de cabelos tímidos são varridos para o sul. Caem sob as rugas horizontais da fronte. Esvoaçam sobrancelhas e cílios. Coram as maças murchas. Pelinhos delatores saltam do nariz em busca de luz: a barba está por fazer. Assim também as unhas. Pontas dos dedos se cruzam e tocam lábios rachados. São mãos idosas, sulcadas, daquelas em que os netos puxam a pele que desce acrônica até se acomodar no músculo. Losangos de diferentes matizes e sombras ironizam numa textura ofídica. Mais distantes vagam os olhos semicerrados (ou entreabertos). As meninas correm para à direita penetrantes. A resposta surge de dentro deles. 
- As cores. Nessa esquina. Vingança de uma vida monocromática.


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