sexta-feira, 20 de maio de 2016

CORPO EM DISCUSSÃO


Corpo bizarro forma geografia de distribuição de sortilégio.
Estranhos envelopes de carnes esfoliadas.
Espíritos residem nas suas sombras e abduzem a canais subterrâneos, sejam pela explosão ou o rasgar da pele.
No corpo nasce a palavra.
A linguagem treme de desejo e medo – fruição, gozo.
Meu corpo é a do outro, sobretudo por amar outro ser corpo.

Corpo de arroz do camponês conduz a alma.
Conduz a palavra do ancestral, pede permissão à árvore anciã,
flores amadurecidas pelo verão.
Espantalho aposentado.
Capta o desejo do pássaro: corvo voluntariamente corvo conduz a coragem da escrita.
Não há vácuo no pensamento presente, ausente no tempo.
Corpo sem pecado, desejo de romper a vergonha da culpa em perpétua vigília. Giros, giros, voltas sem sucesso, jogo tudo pro alto.

Tênue sustenido trava na garganta,
corpo colecionador de imagens.
Ideograma é corpo, homenagem aos deuses. Vale mais que a própria vida. Escrita divina nos cascos da tartaruga.
Butoh – corpo nu e cru. Dança do fracasso, dor, compaixão, irreverência e perdão.
Minha alma grotesca não espelha em meu rosto.
Corpo pede descanso, humilde reconhece o fardo.

O corpo é Arte, Aventura e Criação. Não se rende, entre o Real e o Fantástico.
Texto – corpo - performáticos.

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