quarta-feira, 25 de maio de 2016

Flor em verso

Verso livre:

Escrever é como cuidar do jardim
O que desabrocha depende
Da terra, se está boa ou ruim
Da mão, passarinho, duende

Tem dias que se planta alfinete
Pra espetar a si e todo danado
Noutros se planta chiclete
Pra colher mastigado

Encharcado, o verso se mata em cautela
Sol demais faz evaporar aquarela
Em dias é jovem e gasta a canela
Noutros é velho e só o vê da janela

Se cavar a liberdade da planta
Vezes de retalhos floresce flanela
Ou pode a regra que a acoberta ser manta
Na metrificação que vem em caravela

Mas a erva daninha da escrita
Carpinteiro, bicho do mato
É a rima que sempre aceita
Espinho singelo no vaso chato

Cava tanto para não a ter
Mas tem lá a sua função
Que é arranhar para ver
Quão trabalhosa é tua paixão

Sim, escrever é cuidar do jardim
Adubar até doer o rim
Deixar livre pra contemplação
Até acabar a plantação

Mas como colheu Mario Quintana O segredo é cuidar tão bem Que traga borboletas à paisana Em forma de editoras também


Metrificado

Escrever é cuidar do seu jardim
O que desabrochar muito depende
Da terra, se estará boa ou ruim
Da mão, do passarinho ou do duende

Tem dias que se planta alfinete
Pra espetar a si e todo danado
Em outros se planta ainda chiclete
Que é para poder colher mastigado

Se ela encharcar, se suicida em cautela
Com sol demais, evapora aquarela
Em dias é jovem, gasta a canela
Noutros é velho e só o vê da janela

Porém a erva daninha da escrita
Carpinteiro, velho bicho do mato
É essa rima que você sempre aceita
Espinho singelo no vaso chato

Sim, escrever é cuidar do jardim
Adubar até doer o seu rim
Deixar livre para contemplação
Até acabar com toda plantação

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