sexta-feira, 13 de maio de 2016

Soneto da zona morta

Da bruma densa, um brilho eu espalho
de minha mão, e aliso o lume baço
desliza, aos dedos, o argênteo aço.
Vejo-me me desvendo: espantalho.

-Diabo! Não entendo, nem alho nem bugalho...
-Entrarás por meus umbrais, te cedo o passo,
não temas jamais, o eterno, o abraço.
-Diabrura! Vai-te a casa do caralho!

Retraído o dedo que ia afundado
na superfície macia, enigmática.
Trilha sonora: o mais triste fado.

Correndo, arfo, de maneira asmática.
Desperto, de peito desalinhado
mas a bruma adensa, horrenda, enfática...

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