quinta-feira, 23 de junho de 2016

Rufino

Nada pode ser mais chato do que escutar “se lembra o que disse ontem”? Cara, isso é ridículo, em geral, a pessoa fica observando o seu caminhar, os seus atos, para depois vir punir você com a tal frase, dita antes daquele bom café com quase nada de adoçante e bem forte numa manhã que até sol se insinua tímido. Acho que as coisas devem ser ditas sem frescura, sem medo de nada, provavelmente falando na hora, irão sacar o sarcasmo que rondava tal frase, tem chatice demais nestes dias todos, “cê” não acha? Deixei de ser franco para ser hipócrita, é melhor assim, poucas pessoas estão dispostas a escutar a verdade, não que tenha me tornado cínico, acho que é melhor viver no superficial, na ironia, beijo gente que sei que me odeia, mas não diz o motivo por não saber dizer o que sente, se disser, talvez com jeitinho, possa provar do contrário, levando a figura quem sabe até a pagar alguns tragos. O problema está justamente no fato de que as pessoas bebem mal, a péssima qualidade dos líquidos levam para um humor horroroso, quando não bebem ficam ainda pior, se julgam agentes da moral e dessa balela toda de bons costumes, de exacerbações sem sentido, se você bebe e fuma, então, vira o próprio Judas e quer saber? Acho que o cara não devia ter entregado o tal Cristo que já estava pregado bem antes da coisa toda. Esse lance de vida cotidiana, tudo papai mamãe, porra, muda a posição, tenta outra parada, as coisas foram boladas para encaixe. É preciso quebrar paradigmas, do que adianta tanta leitura se a gente não bota caraminholas na cabeça dos outros? Como disse aquele filósofo careca, pensar é sofrer, acho justo isso, não pensar é o que? A menina lá da repartição, tão linda, um doce de pessoa que quando se levanta para o café faz com que a agente confunda o carimbo verde com o vermelho, soltou a frase através daquele batom brilhante, lábios carnudos, de que ficou claro depois dos pênaltis que deus é brasileiro, silenciamos, alguns por convicção, outros por sei lá o que? Eu, pelo já escrito de me manter irônico, e ela, vale qualquer esforço nesse sentido, deveríamos concordar com tudo que diz qualquer beldade até que ela apareça agarrada com um troglodita qualquer. Enfim, Rufino quebrou o silêncio com seu temperamento duas doses acima foi dizendo, deixe de ser besta, é sabido que deus não existe e, diante do que ocorreu sábado, se existe é burro por não entender nada de futebol, a mocinha ficou vermelha, colocou as mãos no rosto mostrando para todos as suas unhas pintadas com as cores da pátria, caiu no choro, Rufino saiu de seu cercadinho, abraçou a pequena como se fosse uma filha e finalizou, para deus não tem remédio, se não ganhar esta Copa, vai ter outra daqui a quatro anos na Rússia, terra da deusa vodka. 

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