quarta-feira, 17 de agosto de 2016



Menina dos olhos

– Foi um abraço, obrigada – digo, te deixando livre enquanto isso.
– Não sei o que dizer – você me responde, sorrindo.
– Não precisa. Foram dois minutos?
– Pareceu menos, passou rápido. Foi intenso, não foi?
– Não.
– Não? – você se assusta com minha franqueza. – Quer dizer, foi intenso, mas não foi rápido. Foi um tempo diferente do relógio – explico, tocando na sua mão para buscar cumplicidade.
– Sim, sim...
E fica um silêncio de cinco segundos, demorado como a eternidade. – Bom, a gente se vê. Até quinta.
– Até.
Não te disse nada disso, mas queria ter dito. Queria ter te abraçado mesmo no final. Te olhei e dialoguei com você, profundamente. Disse coisas que têm me incomodado, difíceis, penosas. Você me ouviu. Respondeu até o que não ousei formular como pergunta, mas você intuiu. Somos duas mulheres sensíveis e fortes. Nossos olhos foram nossa boca e ouvido, coração. Me senti plena, rasgada e costurada com cuidado. Obrigada.

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